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Do picolé no Maranhão a uma rede em quatro estados: a jornada por trás do método

A história de Davi Lopes importa não pelo mérito, mas pelo ponto de partida. De vendedor de picolé a uma rede em quatro estados, com meta diária, logística e mentalidade como pilares.
RESPOSTA RÁPIDA

Davi Lopes vendeu picolé no interior do Maranhão aos 8 anos, foi ajudante de padeiro, açougueiro, menor aprendiz em correspondente bancário, instrutor de informática e técnico antes de abrir a própria assistência técnica formatando computador na casa de clientes. No primeiro dia de empresa foi assaltado e perdeu a moto. A empresa cresceu até virar uma rede em quatro estados — não por sorte, mas por preparo: investiu na estrutura antes de investir em si mesmo, criou meta diária para gerir a distância sem perder o pulso da operação, resolveu a logística quando o motoboy virou limitador de crescimento, e cultivou a mentalidade de ficar perto de quem soma, não de quem puxa para baixo.

DE VENDEDOR DE PICOLÉ A DONO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Quem afirma tudo isso importa não pelo mérito, mas para que você identifique o ponto de partida. Dos 8 aos 14 anos, vendi picolé no interior do Maranhão, em Lago do Junco. Aos 14, meu pai vendeu tudo e mudamos para Belém do Pará — comecei como ajudante de padeiro. Dos 16 aos 18, virei açougueiro. Aos 18, fui menor aprendiz num correspondente bancário: no primeiro ano, no caixa; no segundo, como técnico. A empresa não tinha orçamento para me efetivar.

Depois fui instrutor de informática. Amava dar aula, mas em três meses vi que não era a ponte certa. Consegui vaga como técnico numa loja de informática e assumi a função. Foi tempo suficiente para entender os processos de uma empresa estruturada. Então saí para montar o meu próprio negócio.

Comecei indo à casa dos clientes: formatava computador, configurava modem, crimpava cabo. No primeiro dia de empresa, fui assaltado e levaram a moto. Um colega dono de assistência me cedeu uma mesa e um lado da loja. Mesmo pequena, a empresa já tinha duas pessoas contratadas e uniforme — eu já pensava como empresa grande.

PREPARO É O QUE ATRAI OPORTUNIDADE

A empresa cresceu a ponto de me assustar. Aos 21 anos eu já tinha um negócio de um tamanho que antes considerava impossível. Mas o crescimento físico exigia crescimento mental, e eu me incomodava com a desorganização. Esse incômodo virou combustível.

O dinheiro que eu ganhava daria para comprar um apartamento ou financiar um carro. Preferi investir na empresa: contratei uma arquiteta, paguei parcelado, e todos os dias olhava para o projeto e compartilhava com a equipe onde queríamos chegar. O primeiro treinamento foi de 5S, fruto de uma permuta com um cliente.

Foi nesse espaço, já organizado, que uma fabricante de eletrônicos entrou e me convidou a ser autorizado. Essa oportunidade não teria aparecido se eu não estivesse preparado. Durante muito tempo, o sofá da recepção era um sofá-cama: eu o abria e dormia ali. Aquela era a minha moradia. Quantas oportunidades você já perdeu por não estar preparado?

Existem dois cenários possíveis aqui. No primeiro, o dono pensa: quando der certo, eu arrumo a casa. O problema é que o contrato grande costuma chegar para quem já arrumou a casa antes. No segundo, o faturamento sobe rápido e a estrutura desaba: de uma faixa média para mais que o dobro em um mês, e no primeiro mês do salto o dono troca de casa e de carro. Depois não banca mais nada, e a loja fecha.

META DIÁRIA: COMO GERIR DE LONGE SEM PERDER O PULSO

O sistema deu liberdade para gerir empresas em estados diferentes. Não é preciso estar dentro da assistência para saber quanto entrou no caixa naquele exato momento. Mas o sistema sozinho não resolve: muita gente tem acesso aos números e não usa.

A cultura de comunicação interna, com um canal onde a operação é acompanhada em tempo real, muda isso. Se o dia está fraco, dá para lançar um desafio na hora, com bonificação para quem autorizar um número determinado de ordens de serviço.

Pelos números, é possível identificar se alguém está desanimado, feliz, doente ou passando por dificuldade pessoal. Não estar presencialmente não impede a conexão com a equipe — isso é empatia e rapport: criar uma ligação real com quem trabalha com você. Com a meta diária, cada pessoa sabe qual é o seu objetivo do dia, em vez de se acomodar na primeira semana e se matar de trabalhar nos dois últimos dias do mês.

LOGÍSTICA: QUANDO O MOTOBOY VIRA LIMITADOR

Um caso real: o volume de serviço está bom, mas o motoboy avulso custa uma faixa alta por semana. O custo unitário chama atenção quando se calcula o dia: aparelhos retirados, devolvidos e peças buscadas custam mais do que parece. O problema ali não é de aplicativo. É de modelo.

Com um valor mensal alto em avulso, vale financiar uma moto e contratar um motoboy fixo. Mesmo que o total fique parecido, ganha-se previsibilidade e capacidade. Reduzir o raio de atendimento por causa do frete é limitar o próprio crescimento: se a demanda existe e há estrutura, o ticket médio acumulado paga o custo. Um motoboy que atende outra região funciona como uma filial, sem aluguel, energia ou equipe adicional — aproveita o custo fixo que a empresa já tem.

MENTALIDADE: VOCÊ É A MÉDIA DE QUEM CONVIVE COM VOCÊ

Existe uma frase, atribuída a Jim Rohn, que diz que você é a média das cinco pessoas com quem convive. Com quem você está conversando? É aquele que diz que assistência técnica não dá dinheiro, que culpa o governo por tudo, que tira as suas forças?

Comece a conviver com pessoas capazes de olhar para o que você faz e dizer com franqueza que está errado, antes que você quebre. Você paga para entrar num clube, para assistir a um show. Onde você está investindo o seu dinheiro? Em conhecimento? Mudando o seu modo de pensar?

As pessoas que convivem com você há anos precisam sentar à mesa e reconhecer que você não é mais o mesmo: a forma de pensar, as decisões, o modo como planeja e como fala sobre pessoas e processos. O problema é que muita gente não evolui e passa mais tempo lamentando do que buscando mudança.

De onde você parte não define onde você chega.

A TX Mídia acompanha donos de assistência técnica que decidiram sair do improviso e construir uma operação de verdade.